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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

INDICAÇÕES AO OSCAR 2013 - Comentários


Mais um ano, mais uma rodada de premiações e, claro, mais uma festança em torno do “Academy Awards” - vulgo “Oscar” -, que consegue a proeza de se tornar ainda mais desinteressante que sua imensamente insossa edição de 2012. Pois é, com exceção da premiação de 2011 (fantástica!), meu interesse já meramente burocrático na Academia foi substituído por um sentimento de irritação e tédio: indicados cada vez mais previsíveis, filmes pouquíssimos ousados e esnobadas características de um comitê que precisa urgentemente se aposentar. Ou morrer. Reflexo da cada vez maior concentração de poder entre os produtores norte-americanos? Sem dúvida. Expressão de uma classe minoritária e conservadora? Claro. Relevância mantida apenas pelo glamour dos grandes tempos e pelo comboio pesado da mídia? Ora, óbvio! Esse é o nosso Oscar: dominado pelas piores características de sua história e expulsando paulatinamente o pouco que lhe resta das melhores.

Pois é, estou pouquíssimo excitado com as indicações reveladas hoje, mas o dever chama e sempre há uma ou duas coisas interessantes a serem ditas para cada categoria. Aqui vão meus comentários sobre as mais pertinentes - e sobre as que tenho considerável domínio, óbvio - além de uma avaliação geral deste último, e decadente, símbolo da glória de Hollywood.

hš Resumo da Ópera    h

É chutar cachorro morto, mas comecemos lembrando o miserável papelão do Brasil com “O Palhaço”. Desde o início eu estava convicto de sua não-indicação e mesmo de sua não-pré-seleção. E quem achava o contrário ou era muito inocente... ou muito tolo. O desempenho patético do Brasil na Academia evidencia mais uma vez o tremendo despreparo de seus produtores e o péssimo, quando existente, planejamento de marketing internacional. Com menos furor e mais justiça, ficamos também de fora da categoria “Melhor Curta-Metragem”: “A Fábrica”, de Aly Muritiba, teve um desempenho invejável por festivais mundo afora, cumpriu sua cota na divulgação e aclamação crítica e foi coroado com uma pré-indicação, mas não nada além disso. Como sempre, não foi dessa vez.

O maior “babado” do Oscar também foi sua maior “esnobada”, e uma com a qual eu concordo parcialmente: “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, aclamado por meio-mundo como a obra-prima máxima, fenomenal e divina da história do cinema de super-heróis, terminará o ano com... ZERO INDICAÇÕES! Isso mesmo, nada! Nadinha, nem uma categoria técnica sequer! Eu bem sabia que os membros da Academia estavam pouquíssimo impressionados com o filme (e, por isso, eu lhes daria um abraço), mas não concorrer a absolutamente NADA?! Ora, eu sou 100% a favor de manter o filme distante de quaisquer categorias principais e mesmo de algumas técnicas (a montagem é atrapalhada e os efeitos visuais são nulos perto dos concorrentes), mas nem mesmo o Design de Áudio? Culpa de Bane?

E os titãs deste ano foram (uma estrela para cada indicação):

Lincoln                               ««««««««««««
A Vida de Pi                       «««««««««««
Os Miseráveis                   ««««««««
O Lado Bom da Vida        ««««««««
Argo                                    «««««««

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« Melhor Filme «

INDOMÁVEL SONHADORA « O LADO BOM DA VIDA « A HORA MAIS ESCURA
LINCOLN « OS MISERÁVEIS « AS AVENTURAS DE PI
AMOR « DJANGO LIVRE « ARGO


O reconhecimento do gênero indie com a indicação de “Indomável Sonhadora” é um comedido alento de que, por enquanto, produções de baixo-orçamento ainda têm vez entre os figurões de sempre. De minha opinião, a presença do mais abastado “O Lado Bom da Vida” é a virtude salvadora da categoria. Talvez a dona da história mais “bizarra” entre todos os filmes, para os padrões oscarianos, a produção amealhou oito indicações e consagra as carreiras de Jeniffer Lawrence e do roteirista/diretor David. O. Russel. E, sejamos francos, Quentin Tarantino não é tão esnobado quanto querem fazer parecer: a mais ou menos ousada lembrança de “Django Livre” para Melhor Filme, além de duas outras categorias majoritárias (Ator Coadjuvante & Roteiro Original) e duas técnicas (Fotografia & Edição de Som), é mais um triunfo para a carreira virtualmente inabalável do gênio-cinéfilo, além de continuar sua tradição de ser muito mais fácil entrar nesta categoria do que na de “Melhor Diretor”.

De resto... bom, alguma surpresa? “Amor” venceu as naturais barreiras contra filmes estrangeiros e conseguiu seu lugar no Olimpo, mas a aclamação em torno do filme era tão grande (quase fanática, se me permitem dizer) que não sei bem se é digno chamar o evento de uma “surpresa”. Ah, e é claro: essa indicação dá, de forma explícita, o resultado para “Melhor Filme Estrangeiro”. Haneke não precisa sequer suar frio: com no mínimo uma estatueta ele já pode contar. Já o poderio da indústria fica no cinturão “Lincoln - Pi - Argo - Hora - Les Mis”. Para o último, méritos duvidosos: são polarizadas as opiniões sobre o musical de Tom Hooper, mas nunca foi segredo de que, desde seu lançamento, o filme tinha ingresso garantido. Spielberg desta vez pode aparecer com mais justiça do que com o tenebroso “Cavalo de Guerra”, e “Argo”, cuja hype não pára de cair, é também outro que já possuía ingresso instantâneo. Meu desgosto pessoal vai para “As Aventuras de Pi”, indicado ao meu prêmio imaginário de “Filme Mais Supervalorizado do Ano” (perdeu para “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”).

QUEM MERECE GANHAR | Django Livre

As Aventuras de Pi | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Argo e Qualquer Coisa que Saia da Cabeça de Spielberg

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« Melhor Diretor «

MICHAEL HANEKE « BENH ZEITLIN « ANG LEE
STEVEN SPIELBERG « DAVID O. RUSSEL


Essa categoria não surpreende por quem conseguiu entrar, mas por quem ficou de fora. Geralmente a arma predileta da academia para esnobadas, a estatueta por Direção não será disputada por três dos nomes mais quentes da temporada: Ben Affleck, Kathryn Bigelow e, claro, Taranta. O primeiro, que muitos julgavam ter um ticket garantido, sofre com a perda de influência de sua obra na mídia: não se escreve nem se comenta mais nada sobre “Argo”, e ele está sendo punido apenas pelo timing infeliz do lançamento. Ah, o senso meritocrático torpe da Academia! Já Bigelow, que conseguiu não só se tornar a primeira mulher a vencer na categoria como também executar uma das melhores vinganças matrimoniais da história, talvez sofra com a síndrome de “Você Já Ganhou Um!” - adicionada ao elemento “Você é Mulher!”. E a Academia deixa mais clara sua política “Anti-Tarantino” neste quesito. Segue abaixo um dos trechos do acordo:

Art. 34. ...
§ 13. Deve-se evitar, com todo empenho possível, a indicação do plebeu Quentin Jerome Tarantino à nobre categoria de “Melhor Direção”;
§ 14. Deve-se evitar, com igual empenho, que suas mãos, possivelmente sempre borradas pelo freqüente manuseio de capas de DVD e contato com as massas, toquem em qualquer uma de nossas Sagradas Estatuetas. Pode-se indicar alguma de suas obras a “Melhor Filme”, desde que ele não apareça como produtor;
§ 15. A exceção fica com “Melhor Roteiro Original”. Não tem jeito. Pega mal não indicá-lo ao menos aqui.”

E, dos que passaram, como fica a situação? Zeitlin e Russel já estão de fora: são “sangue-novo” e não possuem nomes vendáveis. Lee e Spielberg disputam a estatueta no tapa e com resultado genuinamente imprevisível, mas o primeiro adquire maior vantagem porque 1) Seu filme foi um sucesso comercial superior; 2) Seu filme é mais adorado pela mídia; 3) Seu filme é mais adorado pela crítica; 4) Seu filme é sentimental e passa uma (nem um pouco discreta) moral religiosa. E todos AMAM morais religiosas! Mas Haneke não fica muito atrás, e premiar um estrangeiro sempre confere à Academia um ar de progressividade e arrojo. Tudo dependerá do clima dos membros votantes: se eles estiverem se sentindo mais artísticos e ousados, será Haneke. Se permanecerem com a preguiça de sempre, ou Lee ou Spielberg.

Ah, e não nos esqueçamos de P. T. Anderson (“O Mestre”), cuja personalidade introvertida o torna sempre o menos atraente dos diretores. Algo totalmente inverso ao seu talento.

QUEM MERECE GANHAR | Michael Haneke

Ang Lee | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Steven Spielberg e Michael Haneke.

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« Melhor Ator «

DANIEL DAY-LEWIS « DENZEL WASHINGTON « HUGH JACKMAN
BRADLEY COOPER « JOAQUIN PHOENIX


Com exceção de Hugh “Wolverine” Jackman (sério?! Jackman?!), esta foi a categoria menos surpreendente e uma das mais justas. Todos os presentes foram lançados por seus filmes como “garotos-Oscar” (tirando Jackson - que nem por essa “Os Miseráveis” esperava! - e, talvez, Cooper) e todos entregaram performances estelares. Mas é claro que todos os olhos se voltarão a apenas uma pessoa: Daniel Day-Lewis, o mais premiado ator da temporada e um dos mais idolatrados na história da Academia (você não ganha o apelido de “Melhor Ator do Mundo”do nada). Uma pena. Se mérito puro fosse o fator determinante, as mãos mais dignas da estatueta seriam as de Phoenix, cuja performance em “O Mestre” foi há muito descrita como quase sobrenatural.

QUEM MERECE GANHAR | Joaquin Phoenix

Daniel Day Lewis | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Phoenix, mas só por um milagre.

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« Melhor Atriz «

NAOMI WATTS « JESSICA CHASTAIN « JENNIFER LAWRENCE
EMANUELLE RIVA « QUVENZHANÉ WALLIS


É a categoria das estrelas em ascensão, com apenas Naomi Watts como nome mais estabelecido. Jennifer Lawrence, claro, sai desta categoria desde já, tendo cumprido os principais itens requeridos para uma mega-estrela de cinema: 1) Ser linda; 2) Ser talentosa; 3) Estrelar uma franquia popular. A candidata Quvenzhané Wallis é a presença mais notória da noite, visto que suas habilidades como atriz parecem ser inversamente proporcionais à idade (míseros nove anos). Emanuelle Riva cumpre seu papel como “Porta-Voz das Glórias de ‘Amor’”, mas ganhará apenas se, como descrito em “Melhor Diretor”, a classe votante estiver se sentindo “artística”. E Jéssica Chastain só precisa de um blockbuster para consagrar o estrelato. Sabiamente, ela prefere o teatro e a carreira indie. Boa menina.

QUEM MERECE GANHAR | Naomi Watts

Naomi Watts | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Jessica Chastain.

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« Melhor Roteiro Original «

MICHAEL HANEKE « QUENTIN TARANTINO « JOHN GATINS
WES ANDERSON & ROMAN COPPOLA « MARK BOAL


Um dos terrenos mais conhecidos por Tarantino no Oscar (e um dos que ele mais sai de mãos abanando) provavelmente continuará dominado pela Hanekemania. A lembrança quase simbólica de Wes Anderson e Roman “Filho de Francis” Coppola dificilmente sairá do simbolismo, mas a vitoria é sem dúvida muito mais provável do que a dos artigos decorativos Gatins e Boal.

QUEM MERECE GANHAR | Quentin Tarantino & Michael Haneke, igualmente

Michael Haneke | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Wes Anderson & Roman Coppola

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« Melhor Filme Estrangeiro «

AMOR (ÁUSTRIA) « NO (CHILE) « WAR WITCH (CANADÁ)
A ROYAL AFFAIR (DINAMARCA) « KON-TIKI (NORUEGA)


Duas palavras: Michael Haneke.

QUEM MERECE GANHAR | Michael Haneke

Michael Haneke | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Ninguém.

Ah, sim, e pra onde foi “Holy Motors”? Ninguém sabe.

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« Melhor Animação «

VALENTE « FRANKENWEENIE « PARANORMAN
PIRATAS PIRADOS! (?!) « DETONA RALPH


Uma pequena evolução, se comparada à anticlimática competição passada, mas ainda assim uma das menos excepcionais categorias do Oscar. Fico me perguntando se, dentro de seus caixões, os membros da Academia não discutem seriamente sobre pôr um fim na categoria. Sério: seu mercado é bastante irregular e os poucos filmes que não são bastante comerciais são desconhecidos demais para sequer serem levados a sério além de uma honrosa indicação. Sem falar que 2012 foi, disparado, um dos piores anos do gênero, ao menos com o grande público: a Pixar continua sua descida ao inferno com o dolorosamente clichê e desrespeitoso “Valente” (“Irmão Urso” com pedigree) e FrankenweenieParaNormanforam ambos fracassos de bilheteria (pois é, Tim Burton deve estar pagando pelos pecados de “Alice” este ano), embora suas críticas tenham sido anos-luz mais favoráveis. Para cumprir sua cota de “facepalms” e, como sempre, dar uma boa cuspida na própria reputação, a Academia nos faz o favor de trazer o execrável “Piratas Pirados!” à competição. O que posso dizer?! Charles Darwin, um dos maiores gênios já paridos por esta Terra, retratado como um nerd abobalhado e atormentado por carências sexuais juvenis? Não, obrigado.

Pessoalmente, creio que “Detona Ralph” é o mais digno do prêmio. Dentre todos, ele é o filme mais “completo”: ambicioso, bem escrito, bem sucedido financeiramente e simplesmente apaixonante. Mas a animação definitiva do ano foi, sem sombra de dúvidas, “Arriety”, dos Estúdios Ghibli, que fica de fora mais pela confusão nas datas de lançamento do que por burrice da Academia. Afinal, se o filme fosse preterido em nome de “Piratas...”, cabeças teriam que rolar!

QUEM MERECE GANHAR | Detona Ralph

Valente | QUEM PROVAVELMENTE GANHARÁ

QUEM AINDA TEM ESPERANÇA | Frankenweenie

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