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sábado, 4 de dezembro de 2010

A Rede Social (2010)


É interessante notar que David Fincher é um diretor que podemos considerar como possuídor de uma filmografia invejável. Muito do que foi produzido varia de suspenses, dramas épicos longos, uma ficção científica, um dos filmes mais controversos da década de 90 até chegarmos à "A Rede Social" que uma comédia dramática, mas também uma montanha-russa emocional.

Aparentemente, não há nada de interessante em contar uma história sobre a criação de um site, mesmo que este seja um dos mais acessados de todos os tempos. Porém, este é um caso que mostra-se um verdadeiro detendor de uma veia dramática que consegue fazer o público apreciar. É uma história que envolve amizade, sexo, romance em algumas vezes, traição e até serve de uma caracterização dúbia sobre seus personagens, principalmente Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg).

O ambiente de Harvard é algo que muitos poderiam estereotipar como um bando de "riquinhos", mimados e filhinhos de papai burguês. No entanto, os gêmeos Winklevoss (Armie Hammer) mostram que há honra em suas ações e se mostram orgulhosos em manter seu status que é mais profundo do que somente "o que os outros iram pensar de mim".



O estudo de personagem é desenvolvido por excelentes diálogos que mostram que há inteligência neste que muitos podem considerar como um filme comercial. Se é um filme comercial, é um comercial com conteúdo, algo que não falta. A prova desta profundidade aparente é logo mostrada no momento em que o filme começa, onde há um diálogo entre Zuckerberg e Erica Albright (Rooney Mara) que demonstra um ar de arrogância que Zuckerberg possui, mas também algo que pode ser considerado perdoável já que se trata de um indivíduo perfeccionista e cheio de manias. Entenderam? O retrato de Zuckerberg não é definitivo, é algo que nos faz ficar "em cima do muro" quanto à sua personalidade.

Mesmo assim, há momentos onde definimos o caráter de Zuckerberg como o de que se pode facilmente manipular, desde que ele troca a sua amizade com seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) para fazer uma parceria com o audacioso fundador da Napster, Sean Parker (Justin Timberlake). Aliás, uma triste história de amizade já que o "bromance" entre Zuckerberg e Saverin é destruído. Além disso, o filme traz um retrato de Parker que pode fazer com que o público o odeie, mas a intenção não de fazer desmoralizar o rapaz, mas é um "mal necessário" para a construção da narrativa.




Criando um ar cômico, a narrativa não-linear que, ao se intrometer pela primeira, pode parecer confusa. O objetivo é criar uma oposição, pois se filmes normalmente usam narrativas lineares para que os elementos durante o desenvolvimento para que tudo se direcione até um ponto culminante, o recurso não-linear é algo que impulsiona situações cômicas, mas também de total modo para que o roteiro flua com mais facilidade e que possa ser digerido mais naturalmente.

Efeitos visuais. Claro que não é um blockbuster que possui efeitos maravilhosos e fantásticos, mas desde que combinemos com uma atuação muito convincente, tudo é perfeito. A atuação, perdoem se parece exagero, perfeita de Armie Hammer me fez pensar que eram dois atores gêmeos atuando, tamanha a perfeição de como Hammer interpreta personalidades distintas em alguns pontos dos Winklevoss.

Sobre personagens, é muito bom perceber que Eduardo Saverin, um persogem brasileiro, não é encarado como um estereótipo, mas é demonstrado como de todos, o mais racional, cauteloso e também, tristemente, uma vítima. Saverin também mostra-se um gênio em Economia, algo ainda mais interessante para a caracterização de seu personagem e o que ajuda a acabar com a imagem típica do brasileiro no exterior.



Sobre atuações, nada é muito especial. No entanto, Jesse Eisenberg traz uma interpretação bastante consistente por tratar de uma personalidade tão complexa e ambígua que é a de Zuckerberg. Andrew Garfield, no papel de Saverin, mostra em uma atuação simples, mas com alguns nuances como o fato de não usar um sotaque brasileiro, afinal não me lembro de existir sotaque brasileiro quando se fala inglês. Timberlake interpreta Sean Parker de forma que alcance o público para este sinta uma coisa, ódio. Mas a grande atuação pertence a Armie Hammer que possui a melhor atuação do longa e seria injusto se não tivesse uma indicação ao Oscar.

Mas, afinal, o filme não se trata também disto? Eliminação de estereótipos? Este longa é a prova mais concreta de que os nerds estão "por cima" nos dias de hoje. Tanto que em uma cena muito cômica, Zuckerberg e Saverin afirmam que possuem suas groupies, ou seja, fãs. A grande piada é que este termo foi popularizado por causa dos músicos que são considerados pessoas, desculpem o termo, "fodonas". Até pouco ser um nerd não era ser o cara foda que pegava todas a meninas, mas o filme mostra o contrário. Ao lado de Scott Pilgrim Contra o Mundo, "A Rede Social" é uma das prova de que ser um nerd ou geek é ser alguém "descolado".

Curiosamente, a direção de Fincher não era aquilo que eu esperava. Não é costumeiro um diretor tão eficiente não se exibir, já que havia mostrado tão habilidoso ao dirigir longas como Seven - Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Quarto do Pânico, algo que resulta uma direção discreta e também correta. Ao não ser um auto-exibicionista, Fincher dá um espaço maior para a narrativa do roteiro de Aaron Sorkin e o elenco. Além disso, não é o tipo de longa que possui muito espaço para um diretor mostrar suas habilidades incríveis, mas a mão de Fincher deixa tudo mais natural quando ainda sentimos um pouco do que havia feito em filmes passados.

E aquele final, então? Como não sorrir ao som de The Beatles?

Resumindo, este longa é de extrema importância para esta geração. Filmes como este comprovam mais ainda que fazemos parte da geração nerd e que também ser um deles é também ser alguém cool.

"Baby, you're a rich man
Baby, you're a rich man
Baby, you're a rich man too!"

Nota: 8.5


3 comentários:

  1. Luiz Cláudio de Souza7 de dezembro de 2010 00:20

    Grande roteiro, digno de levar um Oscar. Brilhante, como só um filme de David Fincher pode ser.

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  2. Adorei o filme. Trilha, narrativa, roteiro, história...tudo em quase perfeição. E Andrew Garfield rouba a cena. Torço pra que se indicado!

    P.S. Não sabia que o Joao Victor escrevia aqui. Legal! só fui saber pq reconheci o texto lá do cp! heheh Abç!!

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  3. Ah, o João Victor está comigo neste blog desde o começo, tem me ajudado muito *__*

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