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domingo, 20 de maio de 2012

Alien, o Oitavo Passageiro (1979)



Olá a todos, eu sou Luís Eduardo e sou novo aqui no Cine Lupinha. A partir de hoje irei publicar críticas rotineiramente- tanto de lançamentos quanto de filmes cultuados (ou não tão cultuados assim). Era para eu ter começado há umas semanas atrás, porém só estou lançando hoje a primeira crítica, espero que gostem.

Então, para começar, escolhi fazer algo próximo a uma “prévia” de um dos mais esperados lançamentos (pelo menos da minha parte) do ano: Prometheus. Com a volta da série “Alien” às boas mãos do Ridley Scott, nada melhor do quê comentar sobre o primeiro filme da série: “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979)- um dos mais assustadores filmes da história e apresentação de uma memorável heroína: Ripley (atuada sempre bem pela Sigourney Weaver); antes dele entrar num tempo decadente, culminando ao fazer o Predador (outro alienígena que tinha por passa tempo matar humanos) protagonizar uma ridícula cena (?) “romântica” com uma humana.

A série, quando sem outro universo ficcional inserido nela, pode ser considerada um “berço de grandes diretores”, ou, pelo menos, que viriam a ter reconhecimento. Os dois últimos filmes da série foram feitos sob rédeas dos produtores, por isso a qualidade de seus cineastas(David Fincher e Jean-Pierre Jeunet) não aparecia tanto, mas, os dois primeiros, com maior liberdade, foram filmes a ser lembrado. James Cameron com o seu estilo rambolino, fazendo Ripley atirar em tudo que se move, e o (ainda que nem sempre bom, mas ótimo quando inspirado) Ridley Scott, fazendo uma aula de construção de clima e suspense sempre crescente. E, desculpem-me os “Cameronetes”, o estilo que o Scott aplica é muito superior (mas a continuação não deixa de ser divertida, ainda que muito inferior ao primeiro).

Para explicar toda a qualidade do primeiro filme da saga, deve-se começar pelo texto. Escrito por Dan O’Bannon (que viria a dirigir o divertido "A Volta dos Mortos Vivos") e Ronald Shusett, ele consegue fugir dos clichês e nunca deixa claro quais pessoais vão conseguir sobreviver (ou, mesmo, se alguém vai sobreviver), desenvolve as personagens mantém um ritmo sempre agradável a produção, fazendo algo diferente para o velho (já não era novidade no final da década de 1970) gênero “entra X e sai X-Y”. A história não conta com maiores tramas intricadas: uma nave cargueira (Nostromo) recebe sinal de S.O.S., indo verificar o quê se trata, um dos tripulantes acaba sendo infectado por uma forma de vida alienígena, e, ao voltar a nave (mesmo com resistência de alguns tripulantes), tal forma de vida mostra ser muito mais perigosa do quê aparentava ser. Porém, mesmo contando já com esse texto bem escrito (mesmo que simples), o quê torna o filme tão grandioso e, sim, assustador (é um misto de sci-fi com terror), é a execução.

Todo o trabalho, indo da desing- construído a partir de artes do próprio Scott (ele já foi designer) do monstro belo- ao seu modo- de H.R. Giger (a direção de arte dos elementos humanos- igualmente cuidadosa- são de Ron Cobb e Chris Foss), a fotografia escura de Derek Vanlint, a maquiagem e os efeitos especiais convincentes que receberam o Oscar da categoria (apenas uma tomada- a do Alien tentando voltar para dentro de uma nave- envelheceu, todas as outras estão perfeitas e, algumas, até superior a alguns lançamentos dos últimos anos) e as atuações de todo o pequeno elenco, que, em poucos minutos, mostram as personalidades dos tripulantes da nave e uma noção de companheirismo entre eles. Tudo orquestrado por Ridley Scott, que impõe uma estética que, não só contribui para a veracidade de tudo, como potencializa o clima de medo e tensão que percorrem a projeção.

A produção sempre procura fugir de fórmulas e não cai nas armadilhas do gênero. Se atualmente as personagens de tais tipos de filmes são desinteressantes e, na mais pura verdade, quem vai assistir quer ver a morte deles, os tripulantes da Nostromo trazem personalidades vivas e nos fazem torcer pela vida de cada um, nunca tendo um vilão humano dentro da história, todos apenas querem sobreviver. Passa-se a torcer por cada um daqueles homens e mulheres.


Poucas vezes se viu tudo funcionar tão bem. As formas sombrias dos corpos e arquiteturas alienígenas, os corredores brancos (porém com aparência “usada”) claustrofóbicos da Nostromo, todo virtuosismo visual (feito a trancos e barrancos pelo Scott, unindo até truques ópticos com espelhos e crianças atuando para os sets parecerem maiores), o medo do desconhecido alimentado pelas cenas sempre escuras, cada pequena parte constrói uma obra assustadora muito acima da média.

A essa altura, dizer que Ridley Scott dirige bem cenas de tensão se torna quase desnecessário, porém é bom dizer isso. Ele sabe esconder quando necessário, assim como sabe expor a violência, sempre buscando o máximo que a cena pode resultar (as vezes o quê não se vê é mais assustador). Só para exemplificar, a experiência de se ver a cena do jantar é única, têm várias outras cenas de terror, mas dificilmente se encontra uma que causa tamanho impacto na primeira vez que se vê (aí um bom passatempo: assistir Alien com alguém para ver a reação das pessoas).

Então, para terminar aqui e evitar maiores spoilers, apenas fica uma rápida sugestão: quem ainda não viu, veja. De 0 a 10, um 9,5 facilmente. Você pode ver vários filmes de terror, vários filmes de ficção científica e, mesmo, ambos juntos (a combinação não é rara), porém Alien é único, ele é um expoente no gênero, algo que faz do simples uma experiência magnífica, que, mesmo depois de mais de trinta anos após seu lançamento, não envelheceu.

O filme tem uma edição do diretor com algumas cenas que foram cortadas da edição original em um DVD especial. Não altera tanta coisa (mas explica o destino de algumas personagens), mas eu a recomendo (outro filme do Scott, "Blade Runner", mudou muito em sua edição do diretor).

2 comentários:

  1. Um dos meus favoritos da ficção cientifica. Absolutamente tenso, com Ridley Scott dando uma aula de direção.

    Excelente texto, Eduardo!

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

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