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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tudo Pode Dar Certo (2009)


Mesmo com mais de 70 anos de idade, Woody Allen ainda registra vitalidade em seus projetos. Hoje, o cineasta tornou-se alvo de críticas e julgamentos por não estar alcançando com seus trabalhos atuais o mesmo nível que depositou em filmes de sua autoria outrora. Como não poderia ser diferente, Tudo Pode Dar Certo contou com divergências opinativas logo antes de sua estréia, entretanto Allen mostrou sua destreza e competência mesclada numa comédia romântica fina e sofisticada.

Tudo Pode Dar Certo contou com o bom humor ácido e delicioso que tornou o diretor tão famoso e reconhecido perante o cinema, e de quebra, torna-se um entretenimento de extrema qualidade em meio à média atual deste subgênero. O filme conta a trajetória do paranóico Boris Yellnikoff (Larry David), um velho ególatra que é dominado pela hipocondria, por seu pessimismo e por seu instinto de superioridade aos demais. Eis durante uma noite enquanto retornava para sua casa, ele é abordado por uma jovem de nome Melodie (Evan Rachel Wood) que lhe implora por um abrigo, ele sobre muita relutância atente do pedido da garota. Durante esta convivência, ele passa a ensinar a ela as coisas da vida, é então que tudo muda quando ela confessar estar apaixonada por ele.

Mais que apenas uma comédia romântica comum, Tudo Pode Dar Certo é a visão afiada de Allen sobre a convivência social contemporânea, desde a personalidade dos que compõem a sociedade, quanto o individualismo dos mesmos. Através de uma história triste (sim, triste), o cineasta destila sacadas de humor magistrais, com o sarcasmo e a ironia habituais, e é claro, o charme de sempre. Todos os eventos mostrados no filme fazem parte da casualidade que Allen colocou em sua obra, mostrando o poder deste sobre os encontros e desencontros na vida e nos relacionamentos alheios.


Uma das características mais peculiares de Woody Allen é a de aderir a alguns de seus personagens (em especial, os centrais) traços de sua própria personalidade. Em Tudo Pode Dar Certo não é diferente, Boris é, assim como o cineasta, uma pessoa neurótica e excêntrica, mas acima de tudo sagaz e inteligente. Os demais personagens são muito bem construídos, em destaque a carismática Melodie, uma garota singela e bobinha que será o principal fator que ativará os sentimentos do velho rabugento. Tudo em um ensinamento mútuo de companheirismo e união.

Toda a narrativa da trama se dá de maneira equilibrada e natural, evitando os problemas com a agilidade mecânica de Match Point (idem, 2005) ou a narrativa em off de Vicky Cristina Barcelona (idem, 2008). Tudo Pode Dar Certo flui na tela não apenas como um gostoso divertimento, mas como um exemplo que a qualidade dos trabalhos de Allen não cessou e que ele ainda pode proporcionar trabalhos de maior qualidade que a atual média que observamos.

Tudo Pode Dar Certo é uma junção de surpresas dentro de uma agradável surpresa, isso porque, este aborda temas difíceis (suicídio, diferenças de idade em relacionamentos, homossexualismo), trabalhados com as casualidades impostas pela vida e, postos em tela de maneira honesta, e ao mesmo tempo divertida. Este filme comprova que o “motor” da carreira de Woody Allen ainda se mostra cheio de combustível, e para nós espectadores, só resta esperar que este grande cineasta só nos proporcione mais e mais bons trabalhos, afinal, tudo pode dar certo.

Nota: 8.0


3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Júnior, esse filme merece um 9, vc não acha? =)

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  3. HaHaHaHaHa' - Adoro Tudo Pode Dar Certo, certamente um dos melhores filmes do Allen na década de 2000. Porém acho que minha nota para ele não passa de 8.0 mesmo, continuando, ainda sim, um filme excelente! *-*

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