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terça-feira, 26 de julho de 2011

Mistério da Rua 7 (2010)


Brad Anderson já havia mostrado ser um nome promissor no meio da nova Hollywood. Em 2004, Anderson estreou com o ótimo O Operário, suspense psicológico intrigante, e que trazia Christian Bale em uma de suas atuações mais impressionantes e aterradoras. Realizando um trabalho ousado e corajoso, Anderson ausentou-se repentinamente das telas, retornando em 2008 com o simples, mas bem trabalhado Expresso Transiberiano, um suspense de ação divertido, mas clichê, e que não trazia nenhuma das marcas presentes no trabalho de estréia do diretor. Mistério da Rua 7 é o mais recente trabalho de Anderson atrás das câmeras, e chega para representar o fundo do poço para um nome outrora promissor e inovador.

A trama começa dentro de um cinema de Detroit, onde o projecionista Paul (John Leguizamo) exibe a comédia mais recente de Adam Sandler, enquanto folheia um livro sobre demônios antigos. Apagam-se as luzes de repente, e todas as pessoas ali, com exceção de Paul, que estava com uma lanterna à mão, desaparecem misteriosamente. O mesmo acontece com os outros três protagonistas, um repórter de TV vivido por Hayden Christensen, uma suposta enfermeira (Thandie Newton) e o quase órfão James (Jacob Latimore), que sobrevivem nos refúgios de focos de luz, enquanto assistem ao sumiço das pessoas ao redor. Aos poucos, Detroit vai ficando mais às sombras, as baterias começam a acabar, e cada um deles será testado de um modo diferente.

Mistério da Rua 7 entra no hall da enxurrada de filmes apocalípticos lançados de uns tempos pra cá, como é o caso de Fim dos Tempos, A Estrada e O Livro Eli. O diferencial é que, apesar de qualquer boa impressão que a premissa possa passar, o filme consegue ser muito inferior aos exemplos citados anteriormente. O roteiro de Anthony Jaswinski começa instaurando uma instigante sensação de curiosidade sobre o fenômeno, deixando as imagens falarem por si só, deixando as explicações para depois. 


E é exatamente neste ponto que Mistério da Rua 7 encontra seu maior pecado: o filme inteiro é apenas imagens, e nenhuma explicação. O roteiro até tenta tecer algumas teorias por meio das crenças dos personagens, mas nenhuma soa concreta ou palpável suficiente para o espectador se ater e buscar algumas respostas. Assim, o filme vai seguindo aos trancos e barrancos, jamais encontrando a si mesmo, e quando menos se espera, o filme acaba, deixando inúmeras perguntas no ar: por que justamente aquelas pessoas foram poupadas? Quem é aquela garotinha loura que James encontra ao final do filme? Assim como o público, os personagens também vão atrás de suas respostas, e da mesma forma, a resposta para os dois lados acaba sendo a mesma: nada.

Tudo só piora com a presença de personagens rasos e um elenco incrivelmente apático. Se o roteiro desenvolvesse as figuras na tela de maneira mais satisfatória e trabalhasse melhor a dinâmica entre eles, talvez fosse possível gerarmos alguma empatia pelos personagens, mas em nenhum momento isto acontece, e ao final não faz a mínima diferença sobre quem vive e quem morre. As atuações em nada ajudam, sendo que encarar a faceta desinteressante de Hayden Christensen continua sendo uma tortura. Thandie Newton só faz irritar com suas pregações religiosas (e que deixam descaradamente à mostra o teor religioso da obra), e John Leguizamo apenas interpreta aquela típica figura pessimista que só faz amedrontar os outros com suas teorias sombrias.

Sobre Brad Anderson, não se enxerga nenhum vestígio das características que marcaram seus trabalhos anteriores, conferindo uma direção preguiçosa e que nunca sai do piloto automático. Anderson não tira nenhum proveito de seu cenário, desperdiçando a chance de trabalhar em um bom clima de tensão psicológica e claustrofóbica. Ao invés disso, o diretor investe em cenas preguiçosas, que se limita em mostrar uma sombra cercando os personagens. Aliás, esta suposta entidade ou seja lá o que for, sempre gera risadas quando surge, devido aos grunhidos que produz, dignos de filmes B dos anos 70. A trilha sonora é outra característica decepcionante, mostrando-se fria e sem apresentar o menor esforço em criar um clima interessante. A fotografia, entretanto, acerta na transição dos cenários escuros com os mais claros, mas pouco ajuda no meio de uma realização tão preguiçosa e sem identidade.

E assim, Mistério da Rua 7 termina como uma verdadeira decepção, limitando-se a saídas fáceis e ignorando as oportunidades criar algo genuinamente interessante, como sua premissa aparentemente dizia. E representa o fundo do poço para Brad Anderson, que chegou como uma das novas promessas do cinema atual, mas que só agora revelou o que realmente é, uma enganação.

Nota: 1.0



Um comentário:

  1. Nossa, é tão tão ruim assim? Tinha achado a premissa interessante.

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